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sábado, 21 de agosto de 2010

Nos primórdios da psicologia


Lendo um texto de Adauto Suannes, achei interessante a forma como ele coloca a visão do louco na psicologia de  hoje e, então aqui reproduzo parte de tal texto, que sempre é educativo.
Glória Regina.

"Nos primórdios da psicologia, os pesquisadores dividiam as chamadas "doenças mentais" em dois grupos: uma com menor gravidade, as neuroses; outra com gravidade maior, as psicoses. Para o Jung, por exemplo, tudo o que era perturbação mental merecia o nome de demência precoce. Logo ele, que tinha aquelas visões esquisitas! Nada mal, no entanto, para quem estava apenas engatinhando.
O próprio Jung, como sabemos, publicou vasta obra sobre isso, sendo que em um de seus livros ele se dispôs a classificar os seres humanos, de acordo com certas características. O conceito de introvertido e extrovertido começou ali, embora alguns detratores digam que ele se apropriou de estudos de um de seus discípulos. A psicose passou a dividir-se em esquizofrenia e paranoia e o Código Civil Brasileiro generalizava tudo isso com aquele "loucos de todo gênero", que o tempo fez revogar.
Com o surgimento da antipsiquiatria e a firme atuação de Ronald Laing, descobriu-se que a coisa não era assim tão fácil. Muitas pessoas que estavam internadas em sanatórios, vivendo à custa de tranquilizante, poderiam perfeitamente levar uma vida produtiva, desde que lhe fossem ministrados determinados medicamentos, que as reequilibrassem quimicamente. Os mais velhos naturalmente se recordam dos efeitos do lítio sobre o doutor Ulisses Guimarães, que andava fazendo uns discursos meio sem nexo. "Derrubemos os portões dos hospícios!" poderia ser o bordão desses desbravadores.
Nosso Machado de Assis, genialmente, já havia antecipado tudo isso, ao escrever seu notável O Alienista, nome que se dava a quem cuidava dos "alienados mentais", o que quer que isso quisesse dizer. Se alienado era quem tinha um comportamento diverso do comportamento da maioria, até Jesus Cristo seria internado na Casa Verde, dirigida pelo doutor Simão Bacamarte.
Há pouco tempo descobriu-se que o termo "louco" não só é inconveniente como é impróprio. A ideia que todos temos é que por esse nome se devam indicar aquelas pessoas mal trajadas, barba por fazer, discurso desconexo e sempre babando na gravata. Descobriu-se que muitas pessoas que andam ricamente vestidas, joias a mais não caber, rosto barbeado e prosa de vendedor de enciclopédia são o que se denomina, à falta de nome melhor, autênticos "psicopatas". Um Gengis Khan, que se orgulhava de não crescer grama por onde passassem seus cavalos, um chefe de Estado que determina o indiscriminado bombardeamento do terreno inimigo, um padre que não respeita a intimidade sexual de crianças e tantas outras pessoas com as quais convivemos diariamente não escapariam de um rótulo desses.
A principal característica do psicopata é que ele não tem freios inibitórios, pois lhe faltam padrões éticos de conduta. Olhe à sua volta e encontrará pessoas que agem como se o mundo tivesse sido criado especialmente para eles, ou para elas. Essa pessoa está intimamente convencida de que as outras pessoas vieram ao mundo para servi-lo, ou servi-la. Suas gentilezas, seu sorriso, sua fala mansa são meros artifícios de que se utiliza para o único fim que têm em vista: levar vantagem em tudo, como sintetizou aquela infeliz propaganda de cigarro."
Fonte: Esta matéria foi colocada no ar originalmente em 20 de agosto de 2010.ISSN 1983-392X

quarta-feira, 16 de junho de 2010

loucura

Já estão disponíveis na internet as reportagens do programa Justiça em Questão, produzido pelo TJMG, e que aborda nesta semana a vida e as dificuldades dos portadores de sofrimento mental. O endereço na web é youtube.com/justiçaemquestao. Estão em destaque a loucura, a luta antimanicomial e a Justiça para o louco infrator. A equipe de reportagem do programa de TV destaca a cidade mineira de Barbacena e o Programa de Atenção Integral ao Paciente Judiciário, o PAI-PJ, além de ações na Justiça que permitem à família de um portador de sofrimento mental interditá-lo.
O repórter Marcelo Almeida visitou o município mineiro de Barbacena, conhecido durante anos como a "cidade dos loucos" e que mantém, hoje, o Museu da Loucura para guardar registros de um passado de sofrimento e exclusão em Minas Gerais. O município abrigou o primeiro e o maior hospício do Estado, mas foi um dos primeiros a comandar a luta contra o funcionamento dos manicômios no Brasil.
O programa criado pelo Tribunal de Justiça de atenção ao louco que comete crime, o PAI-PJ, é tema da reportagem de Lígia Tolentino. A equipe acompanhou os profissionais do programa durante um mês e revela como é a intervenção do PAI-PJ junto aos pacientes infratores. É destaque na matéria a medida judicial determinada para uma paciente que conjuga tratamento e inserção social. A medida judicial é determinada por juízes das varas criminais.
Fonte: Assessoria de Comunicação Institucional - Ascom TJMG - Unidade Raja Gabaglia.

Muito Boa reportagem, todo advogado deve conhecer o outro lado da história.
Glória Regina